Associação Brasileira de Preservação Ferroviária é uma entidade civil sem fins lucrativos de cunho histórico, cultural e educativo, que é reconhecida como OSCIP - Organização Social de Interesse Público (publicado no D.O.U. de 24 de dezembro de 2004).


Nossa missão é promover o resgate e a conservação do patrimônio histórico ferroviário brasileiro, disponibilizando os bens à visitação pública, desde que a conservação do bem não seja colocada em risco. 


A Associação Brasileira de Preservação Ferroviária - ABPF reúne interessados na preservação e divulgação da história da ferrovia brasileira. Ela foi fundada em 1977 pelo francês Patrick Henri Ferdinand Dollinger, um apaixonado por locomotivas a vapor e por ferrovias. Patrick chegou ao Brasil em 1966 (período de transição da tração a vapor para diesel) e, preocupado com o abandono da história ferroviária brasileira, resolveu criar uma entidade de preservação nos moldes das existentes na Europa e Estados Unidos. Para contatar pessoas com o mesmo interesse, ele publicou em fevereiro de 1977 um pequeno anúncio no jornal "O Estado de São Paulo" que dizia o seguinte:

"LOCOMOTIVAS A VAPOR: Com a finalidade de iniciar uma associação, tendo como interesse principal a preservação, restauração e operação de locomotivas a vapor e assuntos ferroviários em geral, procuro pessoas interessadas neste hobby muito popular na Europa e nos Estados Unidos. Escrever para Patrick Dollinger CP 2778, CEP 01000, São Paulo, ou telefone 32-0579 noite 853-4728 ".
 

Apenas duas pessoas responderam neste momento: Sérgio José Romano e Juarez Spaletta. Os três passaram, então, a fazer contatos com pessoas de mesmo ideal. No dia quatro de setembro de 1977 foi possível realizar com apenas 23 pessoas a assembléia para a fundação da Associação Brasileira de Preservação Ferroviária-ABPF.

 

A primeira ação da ABPF foi instituir uma campanha nacional para impedir o sucateamento de locomotivas a vapor. Com isto, a entidade conseguiu sensibilizar obter o apoio do então corpo diretivo da Rede Ferroviária Federal S. A.. De uma só vez, a RFFSA cedeu a ABPF 13 locomotivas a vapor desativadas. A segunda grande missão foi conseguir um ramal desativado para colocar este material.

 

Depois de um levantamento de trechos desativados no Estado de São Paulo, Patrick optou pela antiga linha tronco da Cia. Mogiana, entre Anhumas (Campinas-SP) e Jaguariúna-SP. Em 1979, a FEPASA–Ferrovias Paulistas S.A. atendeu ao apelo da ABPF e cedeu em comodato este trecho de 24km. Ali foi realizado um trabalho árduo de recuperação das estações, via permanente, locomotivas a vapor, carros de passageiros e vagões. Assim, em setembro de 1984, a ABPF criou o primeiro Museu Dinâmico Ferroviário do Brasil, denominado Viação Férrea Campinas-Jaguariúna–VFCJ. Infelizmente, Patrick Dollinger não viu o seu sonho ser realizado por completo. No dia 17 de julho de 1986 ele faleceu em decorrência de um acidente automobilístico.

 

Como resultado do sucesso das atividades da VFCJ, que recebe visitantes de todo o Brasil e de várias partes do mundo, diversas pessoas interessadas em preservação ferroviária associar-se a ABPF. Com sede localizada na cidade de Campinas-SP, a ABPF é composta de uma Diretoria Nacional, Regionais e núcleos espalhados pelo país. 


A regional de Santa Catarina foi fundada em março de 1993 na cidade de Rio Negrinho, onde reuniu um grande número de pessoas aficionadas por trens, que anualmente promoviam passeios de trem com locomotivas a vapor com apoio Rede Ferroviária Federal Sociedade Anônima (RFFSA). Esse evento motivou a criação de uma regional da ABPF no sul do País, com o movimento, surge muitos associados no estado. Em março de 1994 inicia o grande trabalho de coleta de material ferroviário da ex Rede de Viação Paraná Santa Catarina e RFFSA. Com a chegada de duas locomotivas a vapor e alguns carros de passageiro é possível iniciar os primeiros passeios, chamados de “Museus Dinâmicos”, foi uma composição que percorreu inúmeras cidades no estado de Santa Catarina e também no Paraná, eram trens itinerantes que levavam a cultura e tradição do famoso trem de passageiros e ocorria normalmente em datas comemorativas nas cidades que passava. Esse trabalho da ABPF-SC fez com a regional se tornasse conhecida, passou por cidades do ramal de São Francisco como Joinville, Jaraguá do Sul, Guaramirim, Corupá, Mafra, Canoinhas e Porto União. No meio oeste realizou passeios em todas as cidades deste Caçador à Piratuba. Na linha Tronco Sul nas cidades de Papanduva, Irineópolis, Monte Castelo e Lages, também nas cidades do Paraná como Rio Negro, Lapa e Curitiba. Em Rio Negrinho logo surge um passeio no trecho da serra conhecido como “Ferrovia das Cachoeiras”, saia de Rio Negrinho indo até Corupá, mas por ter um percurso muito longo foi substituído pelo famoso Trem da Serra do Mar.


 

Núcleo do Contestado

Num grande desejo da Regional em preservar uma ferrovia, motivou um grande trabalho de recuperação da chamada de Ferrovia do Contestado, um trecho da ferrovia centenária localizado no meio oeste de Santa Catarina que fazia parte da grande Estrada de Ferro São Paulo – Rio Grande. Essa grande ferrovia foi durante anos o grande elo de ligação entre São Paulo e os estados do sul,  motivou a maior guerra cível do País, a Guerra do Contestado. Com o tempo essa ferrovia torna-se obsoleta, não é usada mais para transporte de carga. Com quase 350 Km de extensão na parte catarinense, foi escolhido um trecho de 25 Km na cidade de Piratuba, local com grande número de turistas devido a suas águas termais e próximo a divisa com o Rio Grande do Sul onde se localiza a grande ponte sobre o Rio Uruguai. Foi em outubro de 2003 que o primeiro passeio ocorreu, entre Piratuba – Marcelino Ramos após seis meses de recuperação desse trecho.


 

Núcleo do Vale do Itajaí

O Núcleo do Vale do Itajaí – NURVI, está trabalhando em conjunto com a Fundação Tremtur para a re-implantação de um trecho da EF Santa Catarina. Essa ferrovia foi a única no Brasil com tecnologia Alemã, cortava o Vale do Rio Itajaí, deste o Porto de Itajaí até a cidade de Trombudo Central. em Rio do Sul-SC. Este trecho denomina-se Ferrovia das Bromélias. 

Associação Brasileira de Preservação Ferroviária Regional de Santa Catarina
Sede Rio Negrinho - Rua da Estação, sn - Centro
89.295-000 - Rio Negrinho/SC